FICHA TÉCNICA DO RECURSO

(Re) significação do trabalho em busca de autonomia para os sujeitos: desconstruindo alienações na saúde pública brasileira
Durante três séculos o assistir à saúde foi baseado no saber popular. O Brasil colônia foi alvo da astúcia de homens interessados nos lucros advindos de suas riquezas naturais sem jamais preocuparem-se com cuidados aos povos nativos e aos descendentes da miscigenação. Nos primeiros anos da República, como consequência da regulamentação do ensino e da prática médica, a assistência à saúde começa a ter caráter científico. Entretanto, o acesso permanece restrito à ínfima parcela da população com condições financeiras para pagar pelo serviço. Ações de polícia norteiam a conduta estatal, no início do séc. XX, no trato de questões de saúde pública, culminando em revolta popular. Este estudo, pautado na pesquisa bibliográfica objetivou descrever como a postura Estatal frente às ações de saúde pública ao longo dos anos da história brasileira interferiu no comportamento das pessoas. Os materiais bibliográficos foram levantados nas bases de dados LILACS, BDENF e SciELO além de outros documentos do Ministério da Saúde. Assim, para este estudo, foram utilizados 23 textos publicados entre os anos de 2000 a 2011. A análise de todo material permitiu dizer que o cuidado ao paciente era conceito irreal para o Estado Liberal. Na década de 20, a postura privatista foi adotada pelo Estado, possibilitando a organização privada da assistência à saúde. Apesar dos inúmeros gastos públicos com a privatização dos serviços de saúde, não houve avanço no cuidado integral. Nesse contexto, ganharam destaque os ideais do movimento sanitário brasileiro. O resultado palpável disso foi a conquista de um sistema único de saúde (SUS) influenciado pela lógica do estado de bem estar social. Com o SUS, a participação do Estado nos assuntos de saúde pública assumiu uma postura completamente diferente da adotada nos 500 anos de história pregressa e o Estado passou a garantir a seguridade social. Passados mais de 20 anos de existência, o desafio do SUS hoje é romper com a tendência à reprodução de formas burocratizadas de trabalho. Apostar nessa possibilidade requer reformulação dos ideais das escolas de administração pautados na produção em série, no trabalho sem reflexão e adoção de estratégia de inclusão dos vários sujeitos, simultaneamente gestores, trabalhadores e usuários, bem como permissão para contaminação das relações com poder, afeto e saberes. Instalar alguma forma de co-gestão, portanto, parece ser a maneira mais eficaz de construir coincidências entre os objetivos institucionais e os saberes e interesses dos trabalhadores.
https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/10949
25/Nov/2018
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